"Eu era uma folha de papel
Pertencia a um livro, assim como tantas outras folhas
Odiava ser uma folha de papel
Não era propriamente infeliz, mas me sentia vazia
Afinal de contas, eu não era nada. Um livro sim é alguma coisa. Mas uma insignificante folha? E havia tantas outras…
Todas aquelas letras impressas em mim.. Elas me incomodavam.
Se, ao menos, eu soubesse ler. Eu poderia compreendê-las… mas não!
E o pior de tudo é que elas poderiam decidir o meu destino, pois elas formavam palavras em mim e, por causa dessas palavras, o que elas diziam, as pessoas podiam me amar ou me odiar.
Eu ia vivendo, vivendo minha depressiva vida de folha de papel.
E eu pensava: “Se ao menos fosse uma capa! Seria um pouco mais importante!! Mas não, eu era uma rélis folha, não tinha nem ao menos uma inscrição.
Até que um dia, eu estava lá sem fazer nada, particularmente deprimida. Me bateu uma curiosidade: “A que tipo de livro eu pertencia?”
Primeiro foi apenas uma curiosidade pura e simples, mas, a partir dali eu percebi que não era afinal de contas tão nada assim!
Se eu fizesse parte de um romance, por exemplo, a história ficaria incompreensível se me arrancassem.
Ou então, se eu fosse parte de um livro de história, quantos fatos importantes estariam registrados em mim?
E se eu fosse página de um diário? Quantos segredos eu não guardaria?
Imagine então se eu fosse parte de uma biografia? Eu seria… A página da vida de alguém!!
E fui por aí a fora, imaginando infinitas hipóteses. E foi isso que me fez perceber o seguinte:
Pertencesse eu, a qualquer livro que fosse eu era importante. Mais que isso, eu era indispensável… eu e cada folha do livro.
Ainda maravilhado com a minha descoberta, eu percebi outra coisa: Eram as letras que dependiam de mim, e não o contrário. Porque sem uma folha de papel, aonde apoiariam-se? Como poderiam elas formar palavras? E comunicar alguma coisa?
A partir desse dia, minha vida passou a ter outro sentido.
Já não era uma existência vazia. Porque eu sabia, agora, que era importante, necessária, haveria sempre alguém que gostasse e precisasse de mim.
Agora eu sabia que não era apenas uma folha de papel, apesar de continuar a ser tão folha e tão papel quanto antes.
E eu me senti mais leve, na verdade, leve como uma folha de papel.”
Esse texto foi lido na minha formatura de magistério, nunca mais achei ele, pesquisei muito na internet mas não achei. Hoje, resolvi rever o DVD e digitar o texto… Não sei o autor, mas é lindo demais!!!
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